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Roberto Justus se torna sócio da MGT

01/06/2022

Roberto Justus se torna sócio da MGT

Com ajuda da inteligência artificial para descobrir brechas tributárias, a banca já obteve mais de R$ 1 bilhão em recuperação de créditos de companhias em seis anos

Ao sair do mundo da publicidade em 2017, Roberto Justus decidiu que não queria mais ser o responsável pelo dia a dia dos negócios nem escravo da agenda atribulada de um executivo. Preferia usar sua experiência para ajudar empresas e empresários. Foi assim que ele se tornou investidor e conselheiro, e, ao longo dos últimos cinco anos, se tornou sócio de um fundo de private equity, de uma assessoria financeira e de duas companhias de tecnologia.

Agora, ele vai desbravar uma nova área, a do direito, ao fechar uma parceria com o escritório de advocacia Marpa Gestão Tributária (MGT), que tem foco na recuperação de crédito. 

"Os sócios Eduardo Bitello e Michael Soares me procuraram para perguntar se eu poderia ajudá-los a desmistificar a carga tributária e os fantasmas que rondam os negócios no Brasil. Eu disse que sim, desde que eu me tornasse sócio deles", conta Justus, em entrevista exclusiva ao Valor. "A entrada do Justus coroa o segundo estágio da MGT e traz consigo o aumento da governança corporativa", explica Soares.

A princípio, Justus terá uma fatia de 15% na MGT, mas poderá chegar a 20% em 12 meses — o valor da compra da participação não foi divulgado. Para poder adquirir os 5% restantes, o empresário precisará ajudar a banca a passar dos R$ 60 milhões de faturamento obtidos em 2021 para uma receita de R$ 150 milhões em 2022.

Para atingir essa cifra, a MGT pretende aumentar o número de clientes, incluindo grandes empresas com faturamento de mais de R$ 1 bilhão. A estratégia é importante, porque o modelo de remuneração do escritório é por resultado; ou seja, a banca recebe um percentual a cada crédito recuperado. Então, quanto mais clientes, mais fácil bater a meta. Para este ano, o objetivo é alcançar R$ 750 milhões em créditos recuperados, sendo que, ao longo dos últimos seis anos, a MGT conseguiu recuperar mais de R$ 1 bilhão.

O segredo para dar esse salto será utilizar inteligência artificial e a metodologia dos '3R' desenvolvida por Bitello e Soares. Esse método de trabalho consiste em "reorganizar" a gestão tributária da companhia para entender seu regime tributário, a partir de uma revisão apurada do que foi pago nos últimos cinco anos. Na sequência, a tarefa é "recuperar" os créditos, com um levantamento dos impostos pagos indevidamente durante o período. Já o último passo é "reduzir" a carga tributária da empresa com base em 11 formas disponibilizadas pela atual legislação.

"Muita coisa pode escapar, mesmo em grandes empresas que contam com auxílio de auditorias e têm áreas contábeis internas. Um errinho pode valer bilhões ao longo dos anos", diz Justus, acrescentando a importância da tecnologia na gestão tributária. "No caso do software da MGT, os algoritmos fazem uma varredura no histórico tributário do negócio em apenas cinco dias."

De fato, uma empresa precisa seguir mais de 4,6 mil normas para estar em conformidade com a Receita Federal, sendo que, por dia, 53 novas normas são criadas, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Não à toa, as companhias desembolsam por ano cerca de R$ 180 bilhões apenas com a burocracia tributária no país.

Mesmo assim, falta educação tributária no país, segundo Bitello, algo que a MGT quer levar a seus clientes. "É comum o empresário receber a guia de impostos e pagar sem conferir. Mas, como pessoa física, ele confere a fatura de cartão de crédito. É imprescindível uma mudança de comportamento."

"Por isso é tão importante analisar e estudar as necessidades de cada cliente. Afinal, queremos ele fique conosco por muitos anos", diz Valdomiro Soares, um dos fundadores da MGT, que vai compor o conselho de administração ao lado de Justus.

 

Entre em contato com a MGT: 

 

Por Natália Flach, Valor — São Paulo

01/06/2022 13h31

Fonte: Valor Econômico